↪ Japanese Aquarium Drops 2026 Version of Flowchart Illustrating Their Penguin Relationships. This Year There's an English Version.

Esses fluxogramas (pra mim isso é mais um mapa) dos relacionamentos dos penguins dos aquários de Quioto e de Sumida, em Tóquio tão sendo uma leitura impressionante. É tanto drama!

Via Spoon & Tamago:

Penguins are highly social species. They like being with others and, like humans, this can often lead to polyamorous and sometimes scandalous situations. Penguin drama can include serious crushes and heartbreaks but also adultery and egg-stealing. Penguins may even develop crushes on their caretakers. And these Japanese aquariums have it all charted in a flowchart that can be studied for hours.

Posso concordar. Ler esse fluxograma tirou (ou melhorou?) horas da minha quarta-feira.

A Noiva!

Achei uma bagunça, mas é um bom tipo de bagunça. Gyllenhaal já tinha mostrado, em A Filha Perdida, que ela acredita no público e não faz questão de segurar a mão dele pra acompanhar. A Noiva! segue a mesma abordagem. É um filme implacável em suas ideias. A diferença é que aqui nenhuma delas é muito bem construída. Mas eu prefiro mil vezes um filme que tem tanta coisa a dizer, e não consegue ter fôlego pra tudo, do que um filme que quer dizer só uma coisa, e mal tem vocabulário pro que acha que tem.

Minha única ressalva é que o filme quer mais ser uma releitura de Bonnie & Clyde do que de Frankenstein. Eu até entendo, mas quando a gente tem a oportunidade de trabalhar com uma obra-prima como a da Mary Shelley eu acho que eu não iria querer saber de outra coisa.

Pai Mãe Irmã Irmão

Saí da sessão já falando pro Erê que esse é o meu tipo de filme: uma tríade de pequenas histórias em que suas motivações e conclusões são tão ambíguas que elas podem não existir. Nada parece acontecer, mas Jarmusch observa tudo: os silêncios, os pequenos gestos, a forma como os personagens se movimentam pela cena. Tudo o que é dito, tudo o que não é dito e tudo o que fica pelo caminho.

Jarmusch usa muito bem a estrutura de três histórias que não se conectam, mas rimam. Essas rimas mais pontuam outros detalhes que parecem aproximar essas histórias: a distância que existe entre esses pais e filhos que parece intransponível, e um silêncio que é cômico, até ficar melancólico. E embora o filme todo seja engraçado, essa melancolia vai tomando conta dos personagens conforme as histórias progridem e a gente vê a distância entre essas pessoas, que se amam, só aumentar.

A segunda história, Mãe, é a minha favorita. Ajuda que tem três atrizes fantásticas em um jogo de comportamentos preciso. É um ótimo lembrete da força monumental da Cate Blanchett, que em uma cena de alguns segundos sozinha dentro de um banheiro transmite toda a tristeza de uma vida inteira de sua personagem para o espectador.

A Cronologia da Água

Assisti na Casa de Cultura semana passada, e o filme ficou cozinhando em fogo baixo em mim pela semana seguinte. Kirsten Stewart dirige bem: ela tem uma montagem de impacto que me pareceu muito com o Steve McQueen no início da carreira, e ela bebe muito da textura da memória que Charlotte Wells empregou em Aftersun.

Mas o roteiro de A Cronologia da Água não ajuda. Um dos grandes desafios de filmes “sobre trauma” é balancear a ideia de que o trauma não define a pessoa que sobreviveu ele, ao mesmo tempo que ele é uma prisão que distorce o horizonte e o destino dessa pessoa enquanto ela navega por esse trauma. Aqui, a protagonista é completamente definida pelo abuso que passou na infância, e a estrutura do filme não ajuda a amenizar essa impressão. Pra um filme de memórias, A Cronologia da Água é completamente linear, então o abuso é concentrado em seus momentos iniciais, na infância da protagonista, e gera uma maré de inseguranças pelo filme todo. Em um filme de memória, porém, as relações que criamos entre as cenas são muito mais de tato: um detalhe, que lembra outro, que lembra ainda mais um. Uma estrutura não linear evitaria essa impressão de que um evento na infância influenciou todo o comportamento da personagem, fazendo ele mais assombrar ela do que justificar seu comportamento.

De resto, A Cronologia da Água é muito bem dirigido. A fotografia me lembrou muito Cassavetes — filmando essas atrizes em closes tão íntimos que parece querer mergulhar na pele delas. O filme nunca encontra uma sincronia entre atuação e câmera como Cassavetes conseguia, mas só pelo fato de tentar, e chegar perto, já é crédito pra Stewart. Eu acho que ela vai fazer algum filme incrível no futuro, tem muita migalha boa por aqui.