Saí da sessão já falando pro Erê que esse é o meu tipo de filme: uma tríade de pequenas histórias em que suas motivações e conclusões são tão ambíguas que elas podem não existir. Nada parece acontecer, mas Jarmusch observa tudo: os silêncios, os pequenos gestos, a forma como os personagens se movimentam pela cena. Tudo o que é dito, tudo o que não é dito e tudo o que fica pelo caminho.
Jarmusch usa muito bem a estrutura de três histórias que não se conectam, mas rimam. Essas rimas mais pontuam outros detalhes que parecem aproximar essas histórias: a distância que existe entre esses pais e filhos que parece intransponível, e um silêncio que é cômico, até ficar melancólico. E embora o filme todo seja engraçado, essa melancolia vai tomando conta dos personagens conforme as histórias progridem e a gente vê a distância entre essas pessoas, que se amam, só aumentar.
A segunda história, Mãe, é a minha favorita. Ajuda que tem três atrizes fantásticas em um jogo de comportamentos preciso. É um ótimo lembrete da força monumental da Cate Blanchett, que em uma cena de alguns segundos sozinha dentro de um banheiro transmite toda a tristeza de uma vida inteira de sua personagem para o espectador.