Encanamento

Tava lendo esse artigo no Unsung sobre a estrutura de URLs do Flickr, e essa continuação com links sobre “design de URLs”.

Eu acho muito bonita a forma com que o Flickr, o Last.FM e o Letterboxd trabalham suas URLs. Eu gosto de digitar os endereços dos sites que eu visito — foi assim que eu aprendi a navegar na internet —, e esses sites permitem que a gente descubra as coisas mais bacanas misturando e explorando suas URLs. O que acontece se eu trocar uma geotag no Flickr, ou misturar os gêneros no Last.FM, ou até mesmo filtrar os filmes que meu amigo assistiu por país? Eu posso fazer toda essa descoberta só observando e trocando caminhos.

Enquanto eu tava redesenhando o meu site eu tava pensando nessa estrutura de URLs, e como eu queria possibilitar esse tipo de descoberta. Com o tempo, eu espero que esse site vire uma verdadeira “floresta” em que eu possa me perder em tags e links por aí. Pra isso, eu preciso reorganizar essas tags, criar um jardim, etc.

Mas uma dessas tarefas foi pensar em uma estrutura de URLs, e tendo lido recentemente o texto no Unsung eu me peguei reestruturando as URLs do site pra começar a possibilitar esse tipo de descoberta.

Por regra geral, os posts agora estão organizados assim:

/categoria/ano/mês/dia/nome-do-post/

As tags são fáceis:

/tags/nome-da-tag/

Uma hora eu quero fazer o /tags/ ser um mapa gráfico das relações entre as tags aqui do site.

Se você acessa uma página de categora (ex. /notas/), você vê o arquivo daquela categoria. Anos, meses e dias também podem ser misturados para navegar por aquivos. Pra acessar os posts de dezembro, você pode navegar pra arthr.me/2025/12/, e assim por diante.

Eu gosto como fazer esses esquemas de URL, integrar com outros serviços e ver se tudo funciona de uma ponta à outra é como mexer no encamanento do site. E meu site é como minha casa. Até mexer no encanamento e saber que tá tudo bem é uma alegria.

Notas de diretores aos projecionistas

Gosto muito dessa arte perdida de notas de diretores para os projecionistas que cuidam da exibição dos filmes nas salas de cinema. Alguns diretores enviavam notas aos projecionistas com observações a serem tomadas, como indicadores de trocas do rolo do filme, configurações para o sistema de som e até mesmo pequenos pedidos para corrigir momentos do filme. É uma observação dos diretores para as pessoas responsáveis por exibirem os filmes para o público.

Pelo menos aqui na minha cidade, os únicos cinemas que projetam os filmes com um mínimo de cuidado são as cinematecas que ficam no centro da cidade. Os cinemas de shopping, todos digitais, só colocam o DCP pra rodar e esquecem. Uma vez eu tive que sair da sessão e pedir pro pessoal desligar a luz.

Enfim, essas são as instruções de Terrence Malick para a projeção de A Árvore da Vida, de 2011:

Carta em papel timbrado da Fox Searchlight Pictures, intitulada Notice to Projectionists Regarding The Tree of Life. Assinada por Terrence Malick, diretor, a carta pede aos projecionistas atenção a detalhes técnicos como aspect ratio de 1:85, volume dos faders em no mínimo 7.5, lâmpadas a 5400 Kelvin com nível de foot Lambert em 14, e alerta que não há créditos iniciais no filme. O tom é respeitoso, chamando os projecionistas de os últimos artesãos remanescentes da exibição cinematográfica e encerrando com a fraternal salute.

Eu gosto como o Stanley Kubrick instrui os projecionistas para o épico Barry Lyndon, e todas as suas especificidades:

Carta datilografada de 8 de dezembro de 1975, com o logotipo estilizado de Barry Lyndon no topo. Assinada à mão por Stanley Kubrick, a carta detalha em 10 pontos as instruções técnicas de projeção do filme, incluindo correção de erro nos dots de changeover do Reel 3B, aspect ratio de 1:1.66, luminosidade entre 15 e 18 foot lamberts, duração total de 184 minutos com intervalo no Reel 6, e instruções para uso de um LP com a trilha sonora durante o pré-filme e o intervalo.

Agora, sobre Cidade dos Sonhos, quando eu vi ele o cinema ano passado eu achei que o projecionista tinha errado o volume do filme, que estava estourando. Bem, na verdade ele tava só respeitando as instruções do David Lynch:

Aviso em formato de pôster tipográfico, dirigido ao departamento de projeção, sobre o filme Mulholland Drive. Assinado à mão por David Lynch, o documento pede que o volume seja aumentado em 3dB acima do normal e que a imagem receba um pequeno headroom extra em relação ao enquadramento padrão 1:85, com um diagrama comparativo ilustrando o ajuste. O tom é direto e pessoal, abrindo com I understand this is an unusual request yet I do need your help e fechando com Your friend, David Lynch.

Via APHELIS, um link que tava há mais de ano na minha lista de leitura.