Tem muita arte no mundo sobre como é difícil ser mãe e pai. Eu imagino que seja, mas são poucas as obras que mostram como é difícil ser um filho. Navegar pelas ambições, as expectativas e as frustrações dos adultos que te criam, enquanto você mesmo navega na experiência que é crescer.

Tive essa impressão enquanto assistia Hal & Harper, a minissérie do Cooper Raiff na MUBI, em que dois irmãos precisaram crescer rápido demais para aprender a lidar com o próprio pai.

Descobrindo músicas novas

Três Músicos Tocando Trompas e Flauta (sem data, provavelmente de Bernardo Strozzi, 1581—1664).

Desde a pandemia, a minha relação com música tem mudado e se aprofundado muito. Começou com a dobradinha Fetch the Bolt Cutters, da Fiona Apple; e Set My Heart On Fire Immediately, do Perfume Genius. Eu escrevi sobre isso no Pão em 2020.

Eu descobria muita música quando eu era mais jovem. Algumas eram descobertas “herdadas”: grandes discos que eu só descobri muito depois. Outras eram genuínas pérolas, músicas de artistas no MySpace e no Bandcamp que tinham pouquíssimas reproduções. Com o tempo, principalmente com o Spotify e a piora da minha depressão, eu parei de ouvir músicas diferentes da que eu já ouvia — e ouvia elas cada vez menos.

Uma das coisas que mais me ajudaram a voltar a descobrir música foi parar de usar o Spotify e começar a ouvir as recomendações de pessoas — amigos, família, desconhecidos na internet. Realmente ouvir a música que eles têm pra me indicar. É um presente, um pedacinho deles que eles querem compartilhar comigo. Em 2023 eu escrevi sobre essa mudança:

Como eu escuto música

Plataformas como o Last.FM ajudam bastante, claro. O Last.FM tem um algoritmo que recomenda artistas similares aos artias que você ouve, como o Spotify e o Apple Music e o Tidal fazem. Mas uma coisa que o Last.FM tem que os streamings não tem é uma caixa de comentários. É lá que as pérolas estão. Pessoas comentando as influências de uma música ou de um álbum inteiro, ou sobre como tal artista lembra eles de outro artista que eles gostam. Você vai explorando e explorando e quando vê você nem lembra exatamente do trajeto que chegou. É o significado real da expressão “navegar na internet”.

Enfim… recentemente eu venho pegando recomendações de comentários de blogs de música, como o Stereogum. A comunidade do Stereogum é excelente — eles comentam lá há tanto tempo que os próprios comentários das colunas tem suas próprias colunas, com autores recorrentes. É fantástico. Em especial, a coluna “As 5 Melhores Músicas da Semana” é um baú de tesouros. Além das cinco recomendações dos editores, os comentaristas deixam suas próprias recomendações para complementar. A edição dessa semana me apresentou duas artistas fantásticas.

A primeira foi The BPM de Sudan Archives, que serviu de trilha-sonora enquanto eu escrevia esse post:

A outra recomendação é (eu acho) meu disco favorito desse ano: ICONOCLASTS, da Anna von Hausswolff. Olha que barato:

Eu acho essas descobertas empolgantes. Conhecer um artista novo, ver um filme e descobrir ali no meio dele que ele é um novo favorito, ler algo que acaba tirando teu chão do melhor jeito… É uma sensação única. Como se o mundo estivesse se abrindo pra nós.

↪ Tumblr

oncewild:

anxeious:

thinking about this bit from an article by Ann Druyan in 2003:

“When my husband died, because he was so famous and known for not being a believer, many people would come up to me – it still sometimes happens – and ask me if Carl changed at the end and converted to a belief in an afterlife. They also frequently ask me if I think I will see him again. Carl faced his death with unflagging courage and never sought refuge in illusions. The tragedy was that we knew we would never see each other again. I don’t ever expect to be reunited with Carl. But the great thing is that when we were together, for nearly twenty years, we lived with a vivid appreciation of how brief and precious life is. We never trivialized the meaning of death by pretending it was anything other than a final parting. Every single moment that we were alive and we were together was miraculous – not miraculous in the sense of inexplicable or supernatural. We knew we were beneficiaries of chance… That pure chance could be so generous and so kind… That we could find each other, as Carl wrote so beautifully in Cosmos, you know, in the vastness of space and the immensity of time… That we could be together for twenty years. That is something which sustains me and it’s much more meaningful… The way he treated me and the way I treated him, the way we took care of each other and our family, while he lived.

That is so much more important than the idea I will see him someday.

I don’t think I’ll ever see Carl again. But I saw him. We saw each other. We found each other in the cosmos, and that was wonderful.”

Lô Borges

Se eu morrer não chore não, é só a lua.

A notícia é triste: Lô Borges faleceu ontem. Parte do Clube da Esquina, compositor dos ventos mais bonitos. Foi uma privilégio imenso ter tido ele aqui com a gente.

Lô só fez música boa. Fora do Clube da Esquina, uma das minhas favoritas é essa:

Muito obrigado por tudo, Lô. Vai nos encher de saudade.