Wajã Xipai reflete sobre sua entrevista com António Guterres

Para a SUMAÚMA, um dos melhores sites da internet, Wajã Xipai entrevistou o seccretário-chefe da ONU. Wajã é o primeiro indígena a entrevistar com exclusividade o líder da ONU. A entrevista em si é ótima, mas esse é o relato de Wajã sobre a situação: suas preocupações sobre como abordar suas perguntas, sobre mostrar a cicatriz aberta da Amazônia sem reduzí-la a isso.

Wajã:

Como é ver o planeta-casa do lugar de Guterres aos poucos se convertendo em um lar hostil? Eu sei como é sentir, na pele e na alma. Acredito que na alma ele também entenda como é. Por isso, em vários momentos enquanto ele falava fiquei imaginando como seria a resposta dele se eu o levasse até meu território. Ele teria que sair da única cidade que frequentamos, Altamira, na Amazônia paraense, até minha terra. A viagem seria de voadeira e, dependendo da época do ano, quando os rios podem estar mais ou menos secos, ela duraria de três a seis dias. Uma parte seria navegada pelas águas violentas do Rio Xingu, depois entraria em outro rio, o que corre na minha aldeia, o Iriri.

Então, se a viagem fosse no verão, quando há seca, em vários momentos ele teria que sair da voadeira para ajudar a empurrá-la, porque a cada verão o Iriri vai ficando mais seco, a ponto de a embarcação se arrastar no leito do rio. Ele então poderia ver com seus próprios olhos que o rio também teria tons bem esverdeados por causa da floração de cianobactérias, que se beneficiam da água mais quente e dos nutrientes presentes nos sedimentos jogados pelo garimpo ilegal. Queria perguntar se ele entende o que é ver o rio de sua aldeia mudar de cor.

Na internet todo mundo sabe que você tinha um cachorro

Aqui vai um link perfeito.

Uma coleção de sites de cachorros — sites sobre um cachorro, em homenagem a um cachorro, e até mesmo feito por cachorros.

Eu adicionei esse site na minha barra de favoritos simplesmente porque é ótimo abrir um desses sites e ficar lendo sobre um cachorro que foi, um dia, muito especial pra alguém a ponto de ganhar uma página na internet só pra ele.

Eu tô gostando de usar o iPad como um dispositivo pra ler e escrever. O OS 26, que traz o conceito revolucionário de “janelas” ao iPad, é excelente (mesmo que nem todos os apps pro iPad ainda tenham suporte).

O iPad é essencialmente diferente de um laptop, isso que eu percebi. Eu até posso fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas nem o sistema nem o hardware são pensados pra isso. Ele é feito para fazer muito bem uma coisa. E, pra escrever, isso tá sendo excelente.

↪ irrelefante.com.br/

Em 2013 eu criei um blog colaborativo com meus amigos, o Pão com Mortadela. Com o tempo, meus amigos seguiram em frente com outros projetos e o Pão foi sendo mantido quase exclusivamente por mim. Em 2024, eu decidi “arquivar” o Pão com um último post.

Hoje eu comecei um blog novo, com a mesma ideia do Pão, com textos sobre coisas que eu gosto, links para descobertas bacanas na internet, e qualquer outra coisa que eu ache interessante. Você pode acessar o Irrelefante acessando irrelefante.com.br. Você também pode seguir ele no Tumblr ou assinando o feed.

Rattlesnake Kate

Eu tô fascinado pela história de Katherine Slaughterback que estava indo com seu filho para um lago e se deparou com mais de cem cascavéis migrando. Ela matou as 140 cobras primeiro com seu rifle e, quando acabaram as balas, com uma placa que (dizem os rumores) dizia “Caça Proibida”. Amanhã, esse causo completa um século.

O artigo na Wikipédia é uma daquelas pérolas em que o tom “neutro” dos artigos só ressalta ainda mais o absurdo da história. Entre os detalhes sobre Katherine está o fato de ela usar calças, “o que era incomum para mulheres em sua época”.

Anos depois, Kate criaria cascavéis para ordenhar o veneno e vendê-lo para cientistas na Califórnia. Ela faleceu em 1969, aos 76 anos.