
Outro registro da caminhada de hoje: essa árvore com esses “olhos”.

Outro registro da caminhada de hoje: essa árvore com esses “olhos”.

Encontrei esse par de cogumelos na minha caminhada hoje.
The Function Of Colour In Factories, Schools & Hospitals.
Lindas ilustrações escaneadas do livro The Function of Colour In Factories, Schools & Hospitals.
Me lembrou dos filmes de Jacques Tati e do uso de cores no jogo Mirror’s Edge.
| [Charlie | Tumblr](https://www.tumblr.com/theme/41291) |
Boas notícias! O tema que desenvolvi pro paomortadela.com.br, Charlie, agora está disponível para todos no Jardim de Temas do Tumblr.
Esse foi um bom fim de semana, depois de uma semana caótica.
Ontem foi um dia perfeito. Tinha um céu lindo, bem azul, com poucas nuvens. E tava frio, com um ventinho gelado.
Eu amo dias assim. Tem um certo conforto em um dia gelado, mas em que o sol brilha. O cheiro do café da manhã alcança lugares mais distantes. Os sons da manhã são mais macios.
Os sentimentos ficam mais aguçados, e os sentimentos também. Eu saí para levar as roupas na lavanderia, e o dono do bar ao lado da minha casa já estava abrindo o negócio dele. A gente trocou nosso bom dia antes de eu descer a escadaria. Na lavanderia, a mesma coisa. Existe uma calma em manhãs que a temperatura é fria, mas o céu acalenta.
Durante a pandemia, eu pensei muito se aquele tempo ia sinalizar o fim da ideia de “comunidade”, de se sentir parte de uma comunidade no nosso dia-a-dia. Os dias ficaram mais impessoais durante aqueles anos. Usávamos máscaras e saíamos só quando era necessário. Eu morria de medo de não conseguir me aproximar dos meus novos vizinhos por causa disso. Mas é tudo questão de tempo. Em algumas semanas, eu e o dono do bar do lado da minha casa já tinhamos um acordo que nunca foi falado — quando eu chego tarde em casa, nós trocamos um aceno e ele me pergunta se tá tudo bem. O mesmo vale com a moça da lavanderia, e a senhora da padaria. Eu nunca consegui ter uma aproximação com a mulher do mini-mercado perto da minha casa, mas até isso é um conforto (não são todos os que a gente consegue se aproximar nos nossos dias).
Dias assim, que tiram a incomodação do calor que durou quase seis meses nessa primavera e nesse verão, dão mais espaço pra calma. Ou vai ver, como a Bruna me comentou, é a paz inerente da chegada dos 30, em que incertezas se tornam insignificantes porque a vida não nos dá muito tempo — ou vontade — de ficar ponderando decisões não tomadas. Meus vizinhos, as primeiras pessoas que eu vejo no dia (e geralmente as últimas também), continuam ali. Nossos acordos, alguns nunca falados e outros acertados, vigoram.
Esse domingo foi outro dia frio, mas dessa vez foi nublado. É um outro tipo de dia que eu adoro. A manhã começa mais cedo, e dura um bocadinho a mais. O dia demora mais pra começar, e ninguém culpa ninguém por isso. Há um silêncio comunitário no ar — é um dia de pouco barulho, de muito sono. O cheiro do café fica no ar por mais tempo. Os sons abafados, também.
Vi o meu melhor amigo andando na rua agora. Tenho certeza de que ele não me viu. Não nos vemos há anos. Mesmo assim, é sempre bom ver ele.