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O tema do meu blog acabou de ser aprovado no jardim de temas do Tumblr.
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Não tem como descrever o “Clube da Esquina”
Eu fiz duas coisas nesse post: eu (tentei) escrever sobre o “Clube da Esquina”, e fechei um ciclo no Pão com Mortadela, o lugar que eu escrevi na última década.
Agora eu acho que vou ficar por aqui, mas o Pão vai continuar no ar. Ele foi muito especial pra mim nesse tempo que eu atualizei ele.
Esses dias eu passei por esse post de Ben Wallace, que comentou sobre a existência de centenas de milhares de vídeos pessoais no YouTube que são, na verdade, públicos — devido a um recurso nas primeiras versões do iOS que permitem que você enviasse os vídeos que você criava na câmera do iPhone direto para sua conta no site.
Eu achei essa “descoberta” emocionante. Tem um quê de encontrar cartas de nossos avós, ou relembrar uma memória com amigos que você tinha esquecido. Não são nossos registros, mas são de outras pessoas. Um lembrete sempre muito bonito dos seres humanos que estão nos outros lados da internet.
Enfim, Riley Walz desenvolveu o IMG_0001, um site para navegar e assistir esses vídeos aleatoriamente. Já foi pro meu speed dial do navegador.
Eu sonhei com a Vivi hoje. Eu fui visitar meus pais e os cachorros vieram me receber. Eu dei oi pro Balu, pro Ió, e pras meninas: a Flor, a Mel e a Cici. Daí a mãe comentou “a Vivi tá lá embaixo”.
Eu não cheguei a estranhar, no sonho. Eu acho que eu estranhei mais o fato de eu ter esquecido de dar oi pra Vivi. Eu fui pro andar de baixo e, realmente: a Vivi tava sentada na sombra que fica no canto da casa, entre os pés de laranjeiras. Ela latiu pra mim e sapateou, como costumava fazer. Eu peguei ela no colo, do jeito que eu pegava — com o meu braço entre as duas patas da frente, apoiando a barriga dela.
A gente caminhou pela casa, os cachorros ao meu redor. Eu tomei um café com minha mãe enquanto segurava a Vivi com um braço. Eu fiquei fazendo carinho nela pelo resto do sonho, ela dando aquela rosnadinha que dava quando queria brincar.

Quem diria… me preparando pra um mestrado…
Eu cresci em uma casa assim.
Meus pais foram crianças como aquelas. Cresceram em silêncio. Seus pais, sindicalistas, enchiam a casa de amigos. Mas quando as crianças entravam, eles ficavam quietos. As crianças não entenderiam, mas poderiam falar algo.
Eu não cresci naquela época, mas cresci com o trauma dos meus pais. Vi meus pais ficando quietos perto de mim e da minha irmã. Vi a melancolia silenciosa em sua felicidade. Suas brincadeiras com os amigos, cheias de amor e esperança por segurança. “Avisa quando chegar em casa”, dizem a eles. Eu repito isso para meus próprios amigos.
Ainda Estou Aqui é o primeiro filme que já vi que realmente traça as cicatrizes da ditadura militar em nosso país através das gerações. De como esse lar se esfarela. Ver as cicatrizes sendo feitas naqueles adultos que irão, à sua maneira, marcar seus filhos com o mesmo silêncio, o mesmo medo. É um filme magnífico — mas também quase sem esperança. Enquanto nosso país e o mundo espiralam em direção aos mesmos horrores que pensávamos ser nosso passado, aquela casa fica quieta. Os amigos param de vir. As fotos persistem.
Mas vejo tanto dos meus pais e dos meus avós em mim, na minha casa. Gosto de estar aqui, para um amigo que precisa de um lugar para passar a noite, para alguns amigos que querem tomar uma cerveja depois do trabalho. Para que a música toque, para que exista algum tipo de segurança para mim e para aqueles que amo.
Salles reúne os melhores atores no melhor filme que um diretor brasileiro fez nesta década. Um filme para os brasileiros assistirem e entenderem as raízes de nossas cicatrizes e o valor precioso do nosso amor, do nosso lar.