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oncewild:

anxeious:

thinking about this bit from an article by Ann Druyan in 2003:

“When my husband died, because he was so famous and known for not being a believer, many people would come up to me – it still sometimes happens – and ask me if Carl changed at the end and converted to a belief in an afterlife. They also frequently ask me if I think I will see him again. Carl faced his death with unflagging courage and never sought refuge in illusions. The tragedy was that we knew we would never see each other again. I don’t ever expect to be reunited with Carl. But the great thing is that when we were together, for nearly twenty years, we lived with a vivid appreciation of how brief and precious life is. We never trivialized the meaning of death by pretending it was anything other than a final parting. Every single moment that we were alive and we were together was miraculous – not miraculous in the sense of inexplicable or supernatural. We knew we were beneficiaries of chance… That pure chance could be so generous and so kind… That we could find each other, as Carl wrote so beautifully in Cosmos, you know, in the vastness of space and the immensity of time… That we could be together for twenty years. That is something which sustains me and it’s much more meaningful… The way he treated me and the way I treated him, the way we took care of each other and our family, while he lived.

That is so much more important than the idea I will see him someday.

I don’t think I’ll ever see Carl again. But I saw him. We saw each other. We found each other in the cosmos, and that was wonderful.”

Lô Borges

Se eu morrer não chore não, é só a lua.

A notícia é triste: Lô Borges faleceu ontem. Parte do Clube da Esquina, compositor dos ventos mais bonitos. Foi uma privilégio imenso ter tido ele aqui com a gente.

Lô só fez música boa. Fora do Clube da Esquina, uma das minhas favoritas é essa:

Muito obrigado por tudo, Lô. Vai nos encher de saudade.

O Agente Secreto

Ontem de noite eu assisti O Agente Secreto na cinemateca. É um grande filme, que me fez apreciar ainda mais o cinema do Kleber Mendonça Filho, um dos melhores diretores brasileiros hoje.

Uma coisa que me “incomodava” em Aquarius e Bacurau eram os becos sem saída que o filme parecia se meter de vez em quando — detalhes que não levavam a nada, nem agregavam à algum arco narrativo. Em O Agente Secreto eu percebi que eu tava procurando pelo em ovo. São esses becos sem saída, esses detalhes “sem motivo”, ou mal entendidos não resolvidos que enchem os filmes de Kleber Mendonça Filho com aquilo que eu acho que é a melhor coisa do seu cinema: a modulação entre exibir o que há de pior, de mais cruel, de mais podre e injusto no Brasil; ao mesmo tempo que mostra que esse é um país lindo, cheio de amor e cheio de gente de verdade. O Brasil balança o que há de pior e o que há de mais belo. É uma corda bamba, e O Agente Secreto é um excelente equilibrista.

Kleber Mendonça Filho dirige que é um colosso também. Não tem plano mal pensado, não tem cena com barriga. Ele move o filme com a força que Wagner Moura dá pra ele. É um trabalho impressionante mesmo. Meu favorito continua sendo Aquarius (eu acho que mais ainda agora que eu tive essa realização sobre o que antes eu considerava um problema do cinema de KMF), mas O Agente Secreto é um segundo lugar bem perto: traz a mesma raiva da corrupção moral que existe no coração de como o Brasil funciona, e a mesma força de vida dos brasileiros que lutam pela ideia desse país.

Tenham um ótimo fim de semana

O que vocês vão fazer esse fim de semana?

Eu vou assistir O Agente Secreto na cinemateca aqui perto de casa. Talvez eu vá num rodízio de pastel depois disso com meus amigos (se a quantidade suficiente de fome bater na gente depois da sessão). Domingo eu estipulei que vai ser meu dia de preguiça oficial. Não quero nem fazer planos pra ele.

O tempo deve ficar bonito aqui na cidade, talvez eu saia pra caminhar em algum momento. Eu tô curtindo muito minha nova rotina — sentar no parque perto de casa pra ler. Eu tô relendo o Frankenstein da Mary Shelley, um livro que me capturou completamente há muitos anos. É excelente!

Vocês sabiam que a Wikipédia tem um grupo de voluntários que se empenham em tirar retratos de pessoas para seus artigos? Eu amo a Wikipédia demais.

Uma leitura pro fim de semana:

A morte e a morte - revista piauí

Fiquem bem, fiquem seguros.