Vai ver é a crise que eu tô passando no trabalho, vai ver porque eu realmente tô valorizando esperar mais, mas esse post do Chris Collins bateu forte em mim:
Most folk didn’t really care about technology. They had a few things like a CD player, a games console or a phone that just worked to call and maybe text. You bought it, you owned it, and everyone kind of accepted it would die eventually. […]
Photos were just… photos. […] You took one because it mattered.
[…] You waited for stuff and nobody lost their mind about it. Waiting was normal.
People worked hard, but it usually meant something tangible. You could point at it and say “I did that”. Not just emails and meetings and vibes. […]
Me lembrou de duas coisas: uma fala em Matrix, quando Morpheus explica pro Neo que a Matrix é uma simulação da humanidade no seu apogeu (os anos 1990). Também me lembrou de “We Used To Wait” do Arcade Fire pro álbum The Suburbs (um disco sobre os anos 1990, inclusive).
https://embed.music.apple.com/br/album/we-used-to-wait/1400275055?i=1400275223
Eu vivi a segunda metade dos anos 1990, e concordo. Até ali por 2009, eu acho que a gente tinha o balanço certo do quanto a tecnologia, ou o digital em si, nos ajudava mais do que nos influenciava. As coisas mudaram com o iPhone.
Eu acho que tinha muita coisa errada naquela época, mas eu acho que as coisas tinham mais peso. Hoje em dia, tudo tem um peso de um post numa rede social — seja a barbárie contra um povo, a violência sexual contra crianças, e o prêmio de música que aconteceu na noite de ontem.
Ter saído do Instagram me ajudou muito a tirar esse efeito esmagador que ele tem de tornar tudo conteúdo. O problema é que muito da vida hoje é moldado por essa experiência. Eu vou num restaurante e ele tem “cenários instagramáveis” para as pessoas criarem memórias. As notícias no jornal tem frases curtas para caberem num post ou para serem lidos num story. É meio desesperador estar de fora mas ainda assim sentir seus efeitos.
Acho que é um caminho, e cada um tem sua própria jornada de volta ao mundo, à grama do jardim, à textura das coisas.